Literatura infantil: agente de mudança social para um futuro mais inclusivo

28 de agosto de 2025

Publicado em 1852, o livro “A cabana do Pai Tomás”, escrito pela autora norte-americana Harriet Beecher Stowe, é considerado pedra fundamental para o movimento abolicionista americano iniciado na década de 1850 e a Guerra Civil que irrompeu pelo país entre os anos de 1861 a 1865. Narrando em detalhes excruciantes as condições dos escravos norte-americanos à época, a escritora (o que, por si só, já era extraordinário para o período) deu poder e voz a uma população que, de um modo ou de outro, participou de mudanças importantíssimas no território estadunidense. Mudanças relacionadas à diversidade e à inclusão que se operam até hoje.

Esse é o poder da literatura como força motriz para transformações de inúmeras naturezas (sociais, econômicas, psicológicas, políticas, éticas, entre tantas outras). A literatura pode criar palcos, mundos, universos nos quais as pessoas podem mergulhar e conhecer as histórias mais diversas: de aventura, exploração, mistério, suspense, terror, romance, drama… Histórias em que olhamos para o fundo de nós mesmos, para as nossas qualidades e defeitos, para aquilo que há de nobre e indigno em nós; para nossas maiores realizações e os nossos mais trágicos erros, para aquilo que nos une como espécie e o que nos afasta como uma coletividade que muitas vezes parece não querer evoluir em conjunto. Contudo, nessa infinidade de narrativas, há uma semelhança fundamental: todas elas falam do eu em relação ao outro. Mesmo que a história seja de um único indivíduo, ele só é único porque existem outros.

Perceba que, nesse sentido, a arte imita a vida: eu só sei que sou quem sou porque existe o outro, diferente de mim, para me comunicar isso.

Com base nesse pensamento, podemos ir mais longe: ao incluirmos o outro, sabemos que existimos, certo? E, ao reconhecermos as diferenças do outro, entendemos que nós somos nós mesmos porque o outro é diferente de nós, o que significa que o outro é fundamental em nossas vidas, não é mesmo? Nós só saímos de um estado de total imaturidade, em que nós e o todo somos a mesma coisa, para um estado de lucidez, em que reconhecemos as diferenças, nos separamos no mundo e ainda nos enxergamos como parte dele porque o próximo existe. Então, fica a pergunta: por que temos tanta dificuldade para entendermos isso?

Infelizmente, as razões são inúmeras. Por motivações sociais, culturais, políticas, ideológicas, até religiosas, somos constantemente ensinados a temer o diferente. A temer o outro. A rejeitar o que não entendemos. Somos também ensinados a escarnecer a diferença, a desejar afastá-la, a negar-lhe qualquer tipo de abrigo, empatia, compreensão, afeto. Nessa triste dinâmica, às vezes sequer reconhecemos a diversidade dentro de nós; queremos desesperadamente desaparecer nos padrões, na igualdade, na uniformidade…

Como podemos tentar mudar essa realidade?

Você se lembra que falamos anteriormente que a literatura cria espaços para falar do indivíduo em relação ao outro? Pois esta é a chave: usar a literatura para fazer todos entenderem a importância do próximo, com todas as suas especificidades, porque é justamente esse próximo que faz com que eu pense em mim mesmo em toda a minha individualidade e, ainda assim, não me sinta sozinho; que eu pense na vastidão das diferenças que podem formar precipícios entre nós e, ainda assim, deseje estender-lhe a mão para andarmos juntos; que eu me surpreenda com a imensidão de personalidades, corpos, crenças, identidades, desejos, vontades, sonhos, e, ainda assim, olhe para aquele diante de mim e enxergue um semelhante, com as mesmas dores, as mesmas dúvidas, o mesmo tudo.

Você se recorda do nosso pequeno relato do primeiro parágrafo, em que citamos o livro de Harriet Beecher Stowe e de sua importância dos Estados Unidos? Lembra-se também que afirmamos que todas as histórias falam da relação do indivíduo com o outro? Na realidade, há mais uma semelhança entre todas as narrativas: todas elas anseiam por causar algum tipo de reação no ouvinte/espectador/leitor. Elas podem desejar gerar calma, alegria, paz de espírito; outras desejam inflamar a imaginação, estimular a disposição do interlocutor, levá-lo ao desejo de realizar grandes feitos, de enfrentar obstáculos, de trazer justiça para o mundo ou, simplesmente, de mudar o rumo daquilo que está à sua volta para melhor.

No caso das obras do selo Primeiros Saberes, queremos incentivar você e sua família a reconhecerem, entre outros valores, a importância da inclusão e da diversidade e estimular vocês a se transformarem em agentes de mudança por meio da literatura. Queremos que pais e cuidadores instiguem seus pequenos a reconhecer, desta a tenra idade, o valor do outro, a relevância da diferença para as nossas vidas, a beleza de abraçar o que nos distingue para que possamos construir um mundo brilhante para todos. Você deseja participar da nossa grande festa para o futuro?

Eis o nosso convite: entre as nossas obras, temos o livro “Os cachos de Lia”, de Priscila Boy. Essa história conta os percalços de uma jovem que não se aceita como é porque todas à sua volta a rejeitam. Ela não gosta de suas características e anseia por um recomeço. Mas um facho de luz surge na vida de nossa heroína! E uma verdadeira mudança se opera em seu caminho.

  • Mas que percalços são esses?
  • Por que as pessoas à sua volta a rejeitam?
  • Quais são suas características? Por que a menina se incomoda com elas?
  • Qual foi a mudança que transformou sua trajetória?

Convidamos você, mãe, pai, cuidador(a), professor(a), a descobrirem as respostas a esses mistérios lendo com sua(s) criança(s) e alunos(as) a obra “Os cachos de Lia”. Transformem-se e transformem o mundo à sua volta!